Portal Ripa
27-10-05

Chuva artificial pode ser alternativa à transposição do São Francisco

Pesquisador do ITA garante que cada litro de água potável injetado numa nuvem pré-selecionada, em qualquer lugar do mundo, pode produzir até 500 mil litros de chuva


As chuvas artificiais podem resolver o problema da seca do Nordeste brasileiro e ser uma alternativa viável ao polêmico projeto de transposição das águas do Rio São Francisco. Quem garante é o engenheiro mecânico Takeshi Imai, pesquisador-visitante do Instituto de Tecnologia Aeronáutica (ITA) de São Paulo. Imai é criador do projeto de Modificação Consciente do Clima e Ambiente (Mod Clima), concluído em 2001.  

 A pesquisa foi premiada com a medalha de ouro da Ciência e Tecnologia em julho, na França, mas ainda é vista com reserva por muitos brasileiros.  O assunto é pesquisado em várias partes do mundo desde a década de 1950. Apesar de algumas experiências bem-sucedidas, como a que utiliza iodeto de prata em nuvens supergeladas, acreditava-se que esse era um tipo de prática restrita e com resultados questionáveis no que se refere a preço e conseqüências para o ambiente e os seres humanos.  

Ao contrário dos processos anteriores, que além do iodeto de prata utilizaram cloreto de sódio, Imai usa água potável diretamente em nuvens pré-selecionadas por um radar meteorológico de sensibilidade superior à dos convencionais. A técnica imita um procedimento adotado pela própria natureza, que se vale das chamadas “gotas coletoras” para unir gotículas dispersas dentro da nuvem e, desse modo, provocar a chuva.

Uma vez detectada a nuvem com condições ideais, os pesquisadores enviam um avião, que injeta água em quantidade controlada. Cada litro de água aplicado gera 500 mil litros de chuva, o equivalente a 250 caminhões-pipa. O resultado aparece num prazo que varia de 15 a 20 minutos.

O pesquisador garante que o procedimento pode ser utilizado, com sucesso, em qualquer região do Brasil e do mundo e que, nos anos de 2003 e 2004, evitou o racionamento de água em São Paulo. Poderia ser ainda uma alternativa para salvar produções agrícolas dos efeitos da estiagem em vários estados. O custo do investimento varia entre R$ 100 e R$ 150 mil.  

A técnica já foi patenteada e, de acordo com Imai, despertou o interesse dos franceses. No Brasil, o estado interessado em conhecer o método deve procurar o ITA.

POR: ASSESSORIA DE IMPRENSA

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