Portal Ripa
16-10-09

Oficina técnica da RIPA leva discussões a Manaus

Evento, que teve duração de três dias, teve como objetivo discutir demandas, portfólios de projetos e políticas públicas.




Michel Lacombe

Oficina

Oficina técnica da RIPA reuniu 67 participantes em Manaus para discutir assuntos importantes para a região amazônica

 

Durante três dias, a cidade de Manaus (AM) foi palco de discussões que geraram demandas, portfólios de projetos e políticas públicas. Com o nome “Agricultura: mudanças climáticas e uso sustentável de recursos renováveis”, a oficina técnica foi promovida pela Rede de Inovação e Prospecção Tecnológica para o Agronegócio (RIPA), Embrapa Amazônia Ocidental e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

 

Participaram, como colaboradores, o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). O evento contou com o apoio do Fundo para o Setor de Agronegócios (CT-Agro), do MCT, Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) Fundação de Apoio à Física e à Quimica (FAFQ) e da Associação Instituto Internacional de Ciência (IICT).

 

As atividades desenvolvidas nesse período se concentraram, em um primeiro momento, na apresentação da metodologia que foi utilizada pelos quatro grupos de atividades formados. A eles, coube a discussão dos pontos críticos e, a partir daí, estabelecer projetos de interesse nas áreas estabelecidas.

 

O primeiro abordou a agricultura e o carbono; o segundo, as vulnerabilidades, especificamente a influência das mudanças climáticas na agricultura; a terceira a mitigação dos efeitos climáticos na produção agrosilvipastoril; já a quarta ficou encarregada de discutir o uso sustentável de recursos renováveis.

 

O evento, que teve início no último dia 13 (terça-feira), convidou 81 pessoas, entre pesquisadores e empresários, de todas as regiões do Brasil. Dentre os primeiros, houve a presença de integrantes de unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) (Amazônia Ocidental, de Manaus, e Oriental, de Belém (PA), Cerrados – em Planaltina (DF) –, Acre – em Rio Branco (AC) –, Roraima – em Boa Vista (RR), Instrumentação Agropecuária – em São Carlos (SP), Meio Ambiente – em Jaguariúna (SP) e Florestas – em Colombo (PR).

 

Além delas, participaram institutos de pesquisas estaduais, como a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater-DF), Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro), Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro (Pesagro), as fundações de amparo à pesquisa de Santa Catarina (Fapesc) e do Amazonas (Fapeam) e o IICT.

 

As universidades foram representadas pela Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual do Amazonas (UEA), Universidade Federal do Amazonas (UFMA) e Universidade Estadual do Maranhão (UEMA). Secretarias e ministérios estiveram presentes através de representantes da Secretaria de Estado, Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SETI), do Paraná, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Agência Nacional de Águas (ANA), Ministério da Pesca e Aquicultura e Câmara dos Vereadores de São Carlos.

 

Já o grupo composto por diretores de empresas foi formado por Abiquim, Finagro, Geoconslt, Associação Nacional dos Usuários de Transporte de Carga (Anut), Biomater, Encalso-damha, Soproplastic, Ecobase, Braskem, Agropalma, Fundação Trompowsky, Instituto Inova, Backer & Mackenze, Agrorisk, Nu Fruits, Quimifort, Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam) e Dataplanta. Organizações relacionadas à Amazônia também participaram, como o Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (INPA) e a ONG Preserve Amazônia.

 

A chefe-geral da Embrapa Amazônia Ocidental, Maria do Rosário Lobato Rodrigues, ressaltou que a oportunidade do encontro acontecer em Manaus e contar com a presença de pessoas é de fundamental importância. “Essa multiplicidade de conhecimentos dos diferentes atores pode contribuir para um resultado mais completo dentro de um processo sistêmico. A participação de outros Estados e outras pessoas, trazendo seu conhecimento, sua realidade e sua experiência só tem a somar para uma discussão mais rica”, disse.

 

Ainda segundo ela, o evento traz também visibilidade à Amazônia e à unidade. “A Amazônia tem dimensões continentais e é preciso somar esforços na busca de soluções para essa região tão diversa e, ao mesmo tempo, tão vazia. Precisamos encontrar um destino para a temática da agricultura, das mudanças climáticas e do uso sustentável dos recursos renováveis para que possamos fazer uso dessa riqueza existente de forma mais sustentável”.

 

A vice-coordenadora do Instituto de Estudos Avançados (IEA), da USP São Carlos, e integrante do comitê gestor do projeto RIPA, Yvonne Primerano Mascarenhas, disse que a maior parte das pessoas que integram seu grupod e trabalho são pessoas experientes dentro da área empresarial. Ela comentou que sua participação foi a de levar um pouco de análise das condições de pesquisa e desenvolvimento. “Minha modesta contribuição é mais no sentido de perceber que a própria população tem uma cultura própria que não pode ser modificada em uma geração. Só com muito trabalho e persistência educacional é que essa cultura vai mudando”.

 

Yvonne também observou que o encontro trouxe à tona a dimensão dos problemas existentes. “No fundo eu acho que o ponto fundamental é melhorar muito a educação da pessoa, para que ela possa ir gradualmente absorvendo a inovação tecnológica”. Outro item considerado pela pesquisadora, foi a importância da Amazônia. “Por outro lado, a região é riquíssima. E é obrigação de todo brasileiro preservar e fazer tudo o que for possível para preservar essa região para futuras gerações”, ponderou.

 

“Eu achei a ideia da reunião fantástica, a dinâmica do grupo está sendo efetiva. O Maranhão ainda não tem sua política para mudanças climáticas, nem para ações de mitigação nem de reparação. Vou levar essa experiência de trabalho em grupo”, contou a professora e pesquisadora da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), Sandra Maria Oliveira Sá.

 

O diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), Dalvino Troccoli França, pretende levar as contribuições tidas durante o evento para a 15ª edição da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (Cop), que acontece em dezembro, na cidade de Copenhague, na Dinamarca. “Esse é um tema que a gente vem tratando em duas áreas da ANA. Eu espero levar essas contribuições do grupo e trazer [ao evento] a experiência com relação ao que a gente vem fazendo na Agência”, destacou.

 

POR: MICHEL LACOMBE

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Destaques Produção Rural de Economia Familiar


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