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| Um dos projetos conhecidos por Jean-Louis Maubois foi o programa “Leite da Crianças” |
Jean-Louis Maubois, encarregado pela presidência do Institute National de la Recherche Agronomique [Instituto Nacional de Pesquisas Agronômicas](Inra) para cuidar da cooperação entre aquele país e o Brasil na questão das ciências do leite e derivados, até 2010, esteve em Curitiba (PR) para conhecer as ações realizadas no segmento na região Sul do País. Durante o evento, ele tomou conhecimento dos procedimentos realizados pelo núcleo regional da Rede de Inovação e Prospecção Tecnológica para o Agronegócio (RIPASUL), que é coordenado pelo pesquisador Paulo César de Camargo. Durante sua estadia no Brasil, Maubois visitou a Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab), no qual teve informações sobre a conjuntura da produção leiteira paranaense, os programas “Leites das Crianças” e o “Estadual de Apoio a Pecuária Leiteira” e os projetos de capacitação de técnicos em laticínios e o “Leite do Paraná”; a fazenda experimental do Canguiri, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), na qual lhe foi exposto as atividades de pesquisa e desenvolvimento em produção leiteira, com destaque para as atividades do Centro Mesorregionais de Excelência em Tecnologia do Leite (Cmetl), núcleo Metropolitana de Curitiba. Além disso, o pesquisador conheceu as atividades realizadas no Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), no Núcleo de Inovação Tecnológica do Paraná (Nitpar) e na Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), e participou da reunião da RIPASUL, na qual foi exposto as atividades da RIPASUL e do sistema WEB e o projeto RIPA-Leite e os CMETL no Paraná. A visitação de Maubois terminou com uma palestra, cujo tema foram as inovações na cadeia produtiva do leite na França. Luciana Oliveira de Fariña, professora da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) e integrante da RIPASUL, como representante da Instituição de Ensino na Rede, afirma que a visita foi importante para o pesquisador conhecer de forma objetiva e dinâmica o que estava sendo realizado no Estado, um ator principal da produção leiteira no Brasil. “Ele já vinha se interessando em conhecer as atividades aqui desenvolvidas na cadeia do leite e a sua acolhida pela RIPA propiciou este momento de intercâmbio de informações sobre os trabalhos que são desenvolvidos aqui nesta área”, diz. “Em contrapartida conhecermos a visão dele sobre nossos projetos e programas, conhecendo as tecnologias inovadoras desenvolvidas na França na área do leite, lideradas pelo INRA, o Instituto Nacional de Pesquisas Agronômicas”, acrescenta. A pesquisadora comenta que as impressões deixadas com o trabalho realizado, tanto pela RIPASUL como pelos órgãos de pesquisa e desenvolvimento do Paraná ,deixaram Maubois satisfeito e ele destacou a qualidade dos projetos e o empenho das equipes para a melhoria da qualidade do leite tanto na região Sul como no Brasil. “Ele deixou claro que, na visão dele, muito ainda precisa ser feito para que o Brasil tenha um leite de qualidade”. Dentre os pontos ressaltados pelo pesquisador estão a qualidade composicional, que somente será conseguida com a implantação e exigência legal pelo pagamento por qualidade, com destaque para a qualidade nutricional associada à presença de proteínas em quantidade satisfatória para o processamento. Esses critérios já foram utilizados na França durante a década de 1970. Conhecmento aplicado Luciana diz que o contato com Jean-Louis Maubois foi oportuno para agregar conhecimento das tecnologias inovadoras que estão sendo desenvolvidas a nível mundial para o processamento do leite e de seus derivados. Outro tópico interessante foi conhecer o percurso da França para sua produção. “Esses fatos nos levaram a refletir sobre os possíveis caminhos que devemos percorrer para um dia alcançarmos o sucesso na produção leiteira qualitativa”. “A efetividade da aplicação dos conhecimentos partilhados se dará a partir do momento que conseguirmos implantar algumas das tecnologias apresentadas por ele entre nós, além de conduzirmos esforços no sentido de esclarecermos os produtores e industriais de que a qualidade nutricional do leite deverá ser o nosso foco nos anos que se seguirão”, comenta a professora. Segundo ela, para que isso seja aplicado, há a intenção de estabelecer parcerias, possívelmente a nível dos Centros Mesoregionais em Ciência e Tecnologia do Leite com Instituições que aplicam as tecnologias apresentadas, como, por exemplo, a Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais, que já mantém um convênio com o INRA e com empresas francesas. Com elas, será possível haver a transferência de tecnologia na área da ultra e microfiltração, que foram as mais avançadas apresentadas para o processamento do leite e derivados a nível industrial. Convênios Além do convênio de cooperação entre Brasil e França já estabelecido, existem outros convênios firmados pelo Estado do Paraná com outras regiões da França. Luciana lista o que foi formado com a região de Rhône-Alpes. “Na região de Rennes já existe um convênio firmado entre a UFPR e a Escola Superior Agrocampus, que por sua vez desenvolve projetos com o INRA”, comenta. “Existe a possibilidade de serem firmados convênios por intermediação do Dr Maubois com as Universidades Estaduais paranaenses. Eles serão levado ao conhecimento e manifestação de interesse a partir dos Centros Mesoregionais de Ciência e Tecnologia do Leite que terão, em breve, reuniões para discutir entre estes, outros assuntos ligados a cadeia do leite no Paraná”, finaliza. |