Portal Ripa
10-12-09

Softwares garantem melhor desempenho do mercado sucroalcooleiro

Aumento a eficiência e otimização do processo agroindustrial, programas ajudam usinas a se tornarem sustentáveis.




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Cláudio Policastro, da Pentagro: tendência é que usinas se tornem mais sustentáveis através da melhoria do processo produtivo - Crédito: Divulgação

Cláudio Policastro, da Pentagro: tendência é que usinas se tornem mais sustentáveis através da melhoria do processo produtivo

 

A crise pela qual o mundo passou no último ano trouxe uma revelação para o mercado sucroalcooleiro: quem não buscar a eficiência e a otimização de seu processo está condenado a ser incorporado por grandes conglomerados ou fechar as portas. Isso acontece devido a utilização de tecnologias que permitam um controle maior da produtividade, diminuindo os gastos na produção e promovendo a sustentabilidade das usinas, que podem produzir a energia elétrica que necessitam.

 

Cláudio Adriano Policastro, diretor de operações da Pentagro Soluções Tecnológicas, em São Carlos (SP), diz que a adoção da tecnologia da informação no agronegócio dividiu os grupos. De um lado estão os grandes grupos, que estão mais profissionais; de outro, as usinas familiares, que ainda resistem à adoção tecnológica.

 

“Nas grandes usinas, detectamos um crescimento do aumento da adoção da tecnologia da informação, que é muito utilizada pra prover suporte pra outras áreas como gestão de conhecimentos e ativos. Ela traz a planta industrial para dentro do negócio, possibilitando que os diretores e gerentes a visualizem. Ao mesmo tempo, elas levam o negócio para dentro da planta industrial, transmitindo valores dos sistemas administrativos de forma que os processos de mais baixo nível também possam utilizar essa informação para otimizar a condição operacional dos aparelhos”, afirma.

 

A empresa de Policastro tem como foco a oferta de soluções de alto desempenho específicas para o mercado sucroalcooleiro, promovendo a otimização e aumento da eficiência do processo agroindustrial. “Hoje nós temos duas soluções voltadas para otimização da destilaria de etanol”, diz. Os softwares desenvolvidos são o Controle Otimizado para Aparelhos de Destilação (COAD) e o Balanço de massa e energia online (BdME).

 

O COAD é baseado em rede neurais e tem como missão estabilizar o processo, diminuindo a variabilidade das variáveis controladas. “Consequentemente ela reduz a perda de etanol na vinhaça e o consumo de energia, aumentando a eficiência energética e a produtividade como prerrogativa da usina, caso ela decida por essa ação”. Já o BdME traz a possibilidade da contabilidade da produção e o monitoramento instantâneo de rendimento e eficiência energética da planta industrial, além da otimização operacional do aparelho.

 

Segundo Policastro, o tempo de implementação é muito rápido, dependendo das condições de inicialização do projeto. Para o COAD ela varia em torno de 10 a 15 dias por aparelho. Já o BdME está em torno de 20. “É uma implementação muito rápida”, comenta. O retorno do investimento é de aproximadamente cinco meses, dependendo do estado do processo da usina e pode ser recuperado ainda na mesma safra. Os resultados verificados das usinas que adotaram o software foram significativos: houve redução de 10% no consumo de vapor, 50% da redução e perda de álcool na vinhaça como um todo e aumento na produtividade em torno de 6%.

 

A melhoria da qualidade pode ser verificada no produto final quanto no consumo de insumos do processo. “Você consegue observar que o processo consome menos energia e isso tem se tornado importante para as usinas hoje em dia porque elas possuem um terceiro produto, que é a venda de energia elétrica, resultado da produção do vapor excedente não consumido pelo processo”, analisa Policastro.

 

Energia elétrica

 

A produção de energia elétrica para a própria usina é importante, sobretudo em uma eventual crise, como a recente. A taxa de adoção desse método está em torno de 30% ao ano. Isso agrega dois pontos: a sustentabilidade e a rentabilidade da usina. Segundo Policastro, a tendência é que o processo de eficiência seja mais acelerado. “As empresas familiares com pouco poder financeiro e econômico tendem a desaparecer e os grandes grupos tendem a aumentar, tanto pela aquisição de plantas existentes como pela construção de novas plantas. É um processo relativamente lento. Eu diria que aproximadamente em seis anos o mercado estará ao menos 60% pronto a receber sistemas como o nosso”, finaliza.

POR: MICHEL LACOMBE

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